segunda-feira, 16 de maio de 2011

Alunos puramente copistas atingem um terço da população brasileira

O site O GLOBO publicou em maio de 2011, um artigo tratando de alunos copistas.
Esse tipo de aluno, mais comum do que podemos imaginar, principalmente em escolas públicas, é um exemplo recente do analfabetismo funcional, que no país atinge um terço da população. Dos que aprenderam a ler e escrever mais tarde, entre 9 e 14 anos - característica do copista, só 13% se tornaram plenamente alfabetizados, apontam dados inéditos calculados pelo Instituto Paulo Montenegro a pedido do GLOBO, sobre jovens de 15 a 24 anos das nove principais regiões metropolitanas do país.

O analfabeto funcional é quem lê mas não interpreta um texto, mas o copista é quem só copia, não sabe que o "a" que escreveu, por exemplo, é um "a". Eles normalmente não entendem nada do que está escrito na lousa.
Segundo Marilene Proença, professora da USP, são crianças que não se apropriam do significado das palavras. Mas vão galgando as séries porque, como copiam, conseguem cumprir algumas tarefas em sala.

O aluno copista é forte candidato a ser um analfabeto funcional ao longo da vida - diz Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do Instituto Paulo Montenegro, que desde 2001 calcula o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). - Ele tem grande risco de se tornar o chamado alfabetizado rudimentar: reconhece algumas palavras, escreve um bilhete, dá um troco e pronto.

Dois dos principais motivos apontados para o analfabetismo funcional são alfabetização tardia e baixa escolaridade dos pais. Segundo dados inéditos do Instituto Paulo Montenegro, sobre jovens das Regiões Metropolitanas, entre os alfabetizados plenos, 90% aprenderam a ler até os 8 anos. Quando o pai ou a mãe tem o fundamental, cerca de 69% dos filhos são analfabetos funcionais ou alfabetizados em nível básico. Mas, quando o pai ou a mãe tem nível superior, até 75% são alfabetizados plenos.
O peso da educação dos pais na dos filhos é mostrado ainda por dados do Pnud sobre jovens na América Latina. Quando os pais têm nível secundário, os filhos têm 5,4% de chance de chegar à universidade; já quando os pais têm nível universitário, os filhos têm 71,6% de chance de ir à faculdade. O pai de Vanderson, Jorge Salindo, estudou até a antiga 5 série; teve de ir "trabalhar em obra para ajudar em casa".
No caso do copista, haveria mais um motivo: um sistema de ciclos ou progressão continuada malfeito. Aí, o aluno, mesmo só copiando, avança nas séries sem repetir.

Se seu filho ou aluno é um copista, procure ajuda especializada para identificar  o que está acontecendo!!!
Ligue para a clínica e marque uma consulta!!!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A difícil arte das mães que trabalham

Se você é mãe, é bem provável que tenha pensado, pelo menos uma vez, se deveria mesmo voltar ao trabalho após o nascimento de seu filho. De fato, deixar a criança não é nada fácil. Mas para muitas mulheres, largar o emprego para cuidar do filho não é uma opção viável financeiramente; outras não gostariam de deixar a vida profissional de lado. Diante desse dilema, é cada vez mais comum encontrarmos mães que trabalham em casa ou fazem dupla/tripla jornada.


Uma pesquisa realizada por Cecília Russo Troiano revela o impacto na vida dos filhos quando a mãe não abre mão de trabalhar fora de casa:
- As crianças hoje encaram com naturalidade o fato de ambos os pais trabalharem:

A afirmação "acho natural minha mãe trabalhar fora" é dita por 91% das entrevistadas. Vários sentimentos estão envolvidos na relação com ambos os pais: a saudade e a falta de tempo são alguns deles. Mas todos concordam que não dá para viver sem os frutos do trabalho e têm ampla consciência de que, quanto mais bem-sucedidos os pais, maiores os benefícios para si (boas escolas, brinquedos, viagens, lazer), segundo 68% dos filhos.

- Questionados sobre porque o pai e a mãe trabalham, o repertório de explicações apontam, em primeiro lugar, para ganhar dinheiro, em segundo lugar, para dar uma vida melhor à família, depois para comprar coisas para os filhos e, em quarto lugar, porque eles gostam.

- Amiga e carinhosa são atributos clássicos associados às mães e os que encabeçam a lista na hora dos jovens definirem suas mães, mas trabalhadora é o primeiro adjetivo citado, com 55% de menções, mas também as consideram menos protetora e mais inteligente do que os filhos das que não trabalham fora de casa.

-Todos, sem exceção, elegeram uma imagem da mulher na cozinha como representativa da mãe - ou seja, trabalhe ou não fora, ela ainda é responsável por alimentar a família.

- O modelo tradicional de paternidade, o do provedor, ainda é a imagem mais forte na mente dos filhos: 64% apontam essa característica para definir o pai, mas depois de trabalhador, a segunda palavra associada aos pais é brincalhão (40%), o que mostra que os homens têm mais tempo e disposição mental para viver momentos de lazer com sua prole. Na hora de escolher imagens que representem o pai, as crianças escolheram várias associadas ao mundo profissional, mas uma das campeãs foi a do pai relaxando, sem fazer nada!

- Muitos filhos não sabem qual é exatamente o trabalho dos pais. Curiosamente, as meninas sabem mais do que os meninos. Em geral, os filhos sabem mais sobre o trabalho da mãe do que dos pais. Provavelmente, as mães justificam mais a sua ausência e dão mais detalhes sobre os motivos de estar fora de casa. Pode ainda existir o estilo de pai mais fechado, que divide pouco os assuntos profissionais com a família.

- As crianças se adaptam ao que vivenciam. Prova disso é que, quase na mesma intensidade, os filhos estão satisfeitos com a opção da mãe de não trabalhar ou de trabalhar fora. Em ambos os casos, 75% aprova a decisão da mãe, seja ela qual for

- Em um termômetro medindo a felicidade dos filhos (de 13 a 22 anos), a nota média dada por eles mesmos foi de 8,5, sejam filhos de mães que trabalham fora ou mães em período integral.


Enfim, o que normalmente acontece é a criança ver a mãe rapidamente pela manhã e depois só à noite, após o trabalho. Nesse intervalo, bate uma saudade e até uma pontinha de ciúmes da babá ou da professora da escola. Veja algumas dicas da Revista Crescer para se manter bem próxima do seu filho, mesmo quando você não está em casa:

- Ligue para ele: Um estudo da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, mostrou que o cérebro da criança reage da mesma maneira – liberando ocitocina, o hormônio do bem-estar – com o contato físico ou com um telefonema da mãe.

- Faça uma gravação: Pode ser lendo uma história, cantando uma música ou apenas mandando um recado para dizer que está com saudades. Dessa forma, seu filho vai poder ouvir a sua voz sempre que quiser.

- Converse com uma câmera pela internet: Se você trabalha em um escritório, verifique se é possível instalar um programa de conversa instantânea com uma webcam para falar e ver seu filho ao mesmo tempo. Você pode reservar 15 minutos do horário do seu almoço para conversar com ele.
- Deixe seu filho brincar com um objeto seu: Pode ser uma peça de roupa, com o seu perfume, seus colares ou qualquer outro objeto que lembre você e possa divertí-lo.

- Coloque uma foto sua na lancheira: Se for do fim de semana, melhor ainda e se ele já souber ler, você pode escrever um bilhete com uma mensagem carinhosa.


Lembre-se que daqui a alguns anos esses bebês vão reivindicar independência e desenvolver seus próprios interesses. Eles vão se orgulhar da mãe e de suas realizações, vão também se espelhar nisso. É importante a mulher agir, consciente dessa evolução, sempre considerando os dois lados da relação mãe e filho para fazer a melhor escolha para ambos.

terça-feira, 1 de março de 2011

O que se deve saber sobre a lição de casa e rotina de estudos

A Lição de casa é uma prática instaurada na rotina escolar; com pequenas diferenças, porém acontece na maioria das escolas.


A responsabilidade com a Lição de casa é uma atitude a ser desenvolvida no aluno, devendo ser um hábito e seguir uma certa rotina. Seu objetivo é dar oportunidade de autoaprendizagem, auto-conhecimento, reflexão, expressão e crescimento pessoal do aluno. Além disso, sistematiza o aprendizado da sala de aula, prepara para novos conteúdos e aprofunda os conhecimentos. O bom desempenho de um aluno depende em primeiro lugar da motivação, mais do que da capacidade intelectual muitas vezes. O aluno precisa ainda perceber a função das tarefas para que compreenda sua importância.

O gosto pelo estudo é adquirido quando o aluno experimenta o desejo de conhecer e isto lhe traz crescimento pessoal. Quando falamos em desejo, falamos daquele sentimento que põe em movimento todo o corpo e todo o pensamento, portanto, não é só prazer, não é só aprender o que gosto. O desejo nos incentiva a buscar, pesquisar, trabalhar, até que se consiga o conhecimento desejado e se experimenta a satisfação por aprender. É este sentimento que deve ser alimentado no aluno. Desta forma, o hábito de estudo e de leitura deve estar presente na vida das pessoas com as quais a criança convive.



Dicas de como proceder para que seu filho realize as lições de casa de forma adequada e proveitosa:

1. Escolha um local para o estudo que seja ventilado, iluminado, sem barulhos ou com muitas distrações;

2. Elabore, juntamente com seu filho, uma rotina (plano de estudos). Organize horários aproximados, conteúdos e matérias a serem estudadas (preferencialmente aquelas que tenham sido trabalhadas no dia);

3. Não deixe a lição de casa para outro dia;

4. Programem horários de estudo adequados (não em horários que a criança tem mais sono ou está mais cansada);

5. Além da lição dada, estimule a pesquisa sobre as atividades propostas para aprimorar conhecimento;

6. Peça para que refaça os exercícios que errou e conscientize a criança desta necessidade;

7. Descubra junto a seu filho, qual a melhor forma de estudar. Podendo ser: estudar em grupos, falar em voz alta, dramatizar, escrever...

8. Observe qual a área de maior dificuldade do seu filho e conscientize-o a dedicar mais tempo aquela matéria;

9. Prepare o material que será utilizado antecipadamente, evitando mudança do foco de atenção;

10. Antes de ensinar seu filho da sua maneira, tente questioná-lo de qual foi a forma que ele aprendeu, desenvolvendo assim, autonomia e raciocínio;

11. Há determinados assuntos trabalhados em sala de aula que podem ser aprofundados de outras formas em casa, como na busca de livros, revistas, peças teatrais ou filmes referentes ao assunto;

12. Reforce-o positivamente e mostre que ele é capaz de resolver os problemas e lições sem tanta dependência dos pais;

13. Não pressione, não fiscalize o tempo todo, mas ensine-o o valor e a ter responsabilidade;

14. Conscientize seu filho sobre o quanto o estudo é necessário para todo indivíduo, que nunca uma pessoa deve desistir de estudar e que deve incentivar aqueles que não estudam. Colocar o estudo como parte da rotina deles, fazendo-os entender que é uma necessidade do ser humano e que será um beneficio a longo e curto prazo;

15. Se o aluno estiver apresentando muitas dificuldades na aprendizagem, procure um profissional especializado para realizar uma avaliação e diagnosticar o problema.



A rotina é importante para que a criança e o adolescente se organizem. Como a criança ainda não é capaz de estabelecer uma rotina sozinha; ela não tem autonomia para organizar o seu dia e os seus compromissos, lidar com horários, distribuir o tempo para brincar, fazer a lição, tomar banho, se alimentar, ela vai precisar da ajuda dos pais. Já o adolescente tem uma capacidade maior de organização e pode estabelecer uma rotina sozinho; ainda assim é sempre importante o monitoramento dos pais e, em caso de dificuldade, a ajuda.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Observando seu aluno ou filho: Quais os sinais comuns apresentados por uma criança/adolescente com Distúrbio de Aprendizagem?

Na educação infantil:

  1.  Falar mais tarde
  2. Apresentar desenvolvimento psicomotor mais lento quando comparado a outras crianças da mesma idade (demorar para andar, falar...)
  3. Vocabulário pobre
  4. Dificuldade em aprender rimas e canções
  5. Problemas para aprender números, letras, cores e formas
  6. Dificuldade em seguir ordens e rotinas
  7. Agitação, distração, desatenção
  8. Lentidão para desenvolver a habilidade motora fina

Nos primeiros anos do Ensino Fundamental:

  1. Dificuldade para perceber as relações entre letras e sons, acarretando em dificuldade durante a alfabetização e até mesmo a não alfabetização
  2. Erros frequentes na leitura
  3. Cansaço excessivo durante as atividades escolares
  4. Dificuldade em realizar cópia (livros e lousa)
  5. Confusão entre esquerda e direira
  6. Lentidão na aquisição de novas habilidades e de lembrar fatos
  7. Dificuldade na aprendizagem de números e cálculo
  8. Impulsividade
  9. Dificuldade de organização e planejamento
  10. Coordenação motora pobre
  11. Dificuldade em compreender o conceito de tempo

Nos anos posteriores do Ensino Fundamental:


  1. Evitar ler em voz alta
  2. Evitar atividades escritas
  3. Cansaço excessivo nas atividades relacionadas a escola
  4. Dificuldades globais na escrita ou compreensão
  5. Trocar letras nas palavras ou posições das letras
  6. Desmotivação e desatenção
  7. Dificuldade em realizar cópia (livros e lousa)
  8. Confusão entre esquerda e direira
  9. Dificuldade em se lembrar de fatos recentes
  10. Dificuldade para aprender uma segunda língua
  11. Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc...
  12. Dificuldade em compreender a expressão corporal e facial das pessoas



No Ensino Médio e Superior:


  1. Evitar atividades de leitura e escrita
  2. Apresentar dificuldade em resumir idéias e fatos
  3. Dificuldade em responder (argumentar) as questões em provas
  4. Dificuldades com conceitos abstratos
  5. Lentidão na execução de atividade
  6. Prejuízo nas habilidades de memória
  7. Substituição de palavras durante a leitura
  8. Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia)
  9. Dificuldade com direita e esquerda
  10. Dificuldade em organização
  11. Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como conseqüência: depressão, ansiedade, baixa auto estima e algumas vezes o ingresso para as drogas e o álcool.



***Observa-se ainda que as crianças que apresentam dificuldades específicas na escola como as características apresentadas ou que também apresentem aspectos emocionais prejudicados; necessitam realizar avaliação com profissional especializado o quanto antes, para que encaminhamentos e/ou reabilitação sejam realizadas.

Em caso de dúvidas, ligue e tire suas dúvidas!!!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Déficit de atenção e hiperatividade: importância do uso de medicação e mitos

Artigo extraído da Veja.com, publicado em 17/02/2010;

As vendas de metilfenidato - medicamento indicado para o tratamento de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) – saltaram quase 80% entre 2004 e 2008, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O aumento provocou suspeitas de uso indiscriminado da droga: levantou-se até a hipótese de que crianças receberiam erroneamente o diagnóstico positivo por conta do comportamento agitado. Além disso, adolescentes estariam obtendo o remédio tarja-preta clandestinamente para turbinar suas funções cognitivas.

Especialistas ouvidos apostaram justamente na tese contrária: "Configura-se mais um caso de subdiagnóstico do que de prescrição exagerada", afirma Luís Rohde, psiquiatra da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). "Esse fenômeno de vendas mal corresponde à necessidade real do país", complementa Paulo Mattos, psiquiatra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro sobre o tema No Mundo da Lua. A partir de dados da Anvisa e do IBGE, o médico diz que menos de 30.000 pessoas com TDAH são tratadas por ano no país - número baixo, frente aos 3 milhões de brasileiros potencialmente portadores.

Por essa razão, os especialistas preferem creditar a disparada no consumo à disseminação do conhecimento sobre o distúrbio neuropsiquiátrico - que atinge entre 3% e 6% das crianças em idade escolar. "Quanto maior a gama de informações, capacitação e esclarecimento acerca de um transtorno, mais pessoas procuram um diagnóstico. Isso faz com que aumente a incidência do uso da medicação", afirma Iane Kestelman, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Déficit de Atenção.

Diagnóstico difícil - A opinião dos médicos, contudo, não encerra a questão. "De fato, existem diagnósticos errados e o uso desnecessário da medicação - o que ocorre em todas as áreas medicina. Mas o tratamento correto não pode pagar a conta dos maus profissionais", afirma Kestelman.

Na raiz do problema está a dificuldade no diagnóstico de TDAH. Ao contrário de outros males, não há um exame laboratorial que possa complementar ou confirmar a análise realizada em consultório. Para descobrir se uma criança possui o transtorno, é preciso observar se os sintomas ocorrem há pelo menos seis meses em ambientes diferentes, como escola e família. Além disso, o médico especialista deve, por meio de entrevista, analisar se o perfil do paciente se encaixa em uma lista de 18 sintomas. Isso pode dar margem a que um médico menos experiente realize um diagnóstico exagerado.

"Os sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade têm que se manifestar em todos os contextos em que a criança vive e precisam provocar um prejuízo na vida dela, seja no relacionamento familiar, social ou no desempenho acadêmico", explica Marcos Arruda, neurologista pediátrico do Instituto Glia e membro da Associação de Neurologia e Psiquiatria Infantil.

Erro e acerto - Por conta de um diagnóstico errado, o designer Gabriel (que prefere não revelar seu nome verdadeiro) viveu severas turbulências durante boa parte da vida. "Minha infância e adolescência foram um inferno. Mais tarde, cheguei a largar a faculdade três vezes devido ao problema", conta. Sofrendo, ele procurou um médico, que apresentou o diagnóstico de transtorno bipolar e impôs ao jovem, hoje com 27 anos, três anos de tratamento intensivo com remédios para combater aquele mal.

Há dois anos, porém, veio um novo veredito: TDAH. Veio também uma nova vida. "Agora, faço em 15 minutos uma tarefa que, por conta de distração, levaria uma hora", diz Gabriel.

Surpresa maior acerca da sua situação médica estaria por vir. Depois do novo diagnóstico, a mãe de Gabriel revelou que ele recebera o mesmo parecer médico na infância. O tratamento, contudo, foi suspenso devido a pressões na escola. "Naquela época, a diretora repreendeu minha mãe porque não achava correto dar um remédio tarja-preta para uma criança", diz Gabriel. "Ela só me contou a história depois do novo diagnóstico: até então, ela tinha vergonha de revelar isso."

Como funciona a droga - A Ritalina, nome comercial do metilfenidato, ajuda pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade a se concentrar com mais facilidade. "Um paciente com TDAH tem seu processo de atenção desregulado na liberação de dopamina (neurotransmissor)", diz Geraldo Possendoro, psiquiatra comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "A medicação estabelece o funcionamento adequado."

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A importância do brincar na aprendizagem e no desenvolvimento infantil

A criança tem prazer em brincar, o que estimula sua criatividade e constrói sua identidade própria. Esta é uma das formas mais espontâneas de as crianças poderem manter um contato melhor com a realidade em que estão inseridas. É brincando também que se aprende com prazer. A brincadeira é a fase mais alta do desenvolvimento da criança, é através das brincadeiras e dos jogos que as crianças expressam o que estão sentindo, como elas enxergam o mundo, procuram entender o mundo dos adultos e também evoluem por intermédio de suas próprias brincadeiras e das invenções das brincadeiras feitas por outras crianças e pessoas adultas. Além disso, com estimulação adequada, desenvolvem sua autonomia, criatividade, iniciativa, senso crítico e responsabilidade, tornando-se pessoa, cultivando a autoestima, desenvolvendo um autoconceito positivo, dominando as angústias e proporcionando condições saudáveis para o seu desenvolvimento biopsicossocial.

As primeiras brincadeiras do bebê, que são caracterizadas pela observação e posterior manipulação de objetos, oferecem à criança o conhecimento e a exploração do seu meio através dos órgãos dos sentidos. Logo que a criança começa a falar os jogos de exercícios começam a diminuir e dão espaço aos jogos simbólicos. Próximo ao final desta fase, os jogos simbólicos começam a declinar porque passam a aproximar-se cada vez mais do real. O símbolo perde seu caráter de deformação lúdica e passa a ser uma representação imitativa da realidade. Inicia-se então a estrutura dos jogos de regras, que têm um ponto de partida próximo aos 6 anos e vai até o princípio da adolescência. Para Vygotsky, todas as modalidades de brincadeiras estão inseridas de regras e de faz-de-conta. As regras de uma brincadeira ou jogo estão intimamente ligadas ao conhecimento que as crianças têm da realidade social na qual estão inseridas.

A brincadeira, mesmo sendo livre e não estruturada, possui regras que conduzem o comportamento das crianças. Uma criança que brinca de ser a mamãe com suas bonecas assume comportamentos e posturas pré-estabelecidas pelo seu conhecimento de figura materna. As regras são então partes integrantes do jogo simbólico, já que a criança ensaia comportamentos e papéis, projeta-se em atividades dos adultos, ensaia atitudes, valores, hábitos e situações para os quais não está preparada na vida real. Além disso, de uma forma geral, durante o brincar, a criança vai adquirindo um saber físico e mental, onde ela poderá imaginar, refletir e raciocinar, dando-lhe um prazer da realização da ação.

O jogo pode ser uma forma espontânea para a resolução dos problemas e dificuldades presentes no seu meio, por oferecer situações para se trabalhar a oralidade, a timidez e o raciocínio sem causar frustrações angustiantes, e para isso deve ser conduzido com sabedoria, respeitado as limitações que cada criança apresenta, para surtir um resultado consideravelmente eficaz. Contudo, o jogo deve fornecer regras claras e ter objetivos bem definidos, além, de ter um caráter desafiador e interessante, para atingir um grau elevado de significação e permitir que as crianças se interajam.

Os jogos são importantes na vida de uma criança, pois com eles, há o objetivo de se obter prazer, sendo que não é apenas uma fonte de diversão, mas também propicia situações que podem ser exploradas de diversas maneiras educativas, para isso, quem irá desenvolvê-lo deverá ter objetivos claros e fazer um planejamento prévio. Os jogos se bem aplicados, podem desenvolver a inteligência, funcionamento cognitivo (memória, atenção, visuopercepção, visuoconstrução...), pré requisitos para alfabetização (esquema corporal, coordenação motora fina e grossa, habilidades visuais, auditivas, inserção de regras...), habilidades artísticas e estéticas, afetividade, vivência de regras éticas e o relacionamento social. Existem diversos jogos e atividades que serão citadas em outro artigo, já que este, não tem este objetivo. Dando continuidade ao que estava sendo tratado, o pensamento vem, portanto, da atividade. As atividades envolvidas no processo de aprendizagem são observações, experimentação, reflexão, organização (através da fala, escrita, desenho, movimento) e apresentação do conhecimento adquirido. É a partir desta perspectiva mais abrangente do processo de constituição do indivíduo como ser social, afetivo e cognoscente que devemos pensar o papel do jogo e da brincadeira na aprendizagem. Para atingir as metas que se deseja alcançar na aprendizagem, deve-se realizar um planejamento bem feito, com práticas pedagógicas elaboradas para vencer um jogo, avaliando cada uma das ações, de acordo com a complexidade e número de jogadores envolvidos. Deve-se observar também que cada jogador possui habilidades e limitações e o educador deve estar atento, variando assim os objetivos a serem alcançados. O jogo leva a criança ao convívio com regras, que podem ocorrer de formas diferentes dependendo da fase de desenvolvimento em que a criança se encontra: Em um primeiro momento, a criança desconhece e não consegue seguir as regras (2 aos 5 anos). No estágio seguinte a criança começa a perceber regras externas e procura imitá-las, como uma atitude de respeito. No terceiro estágio, que acontece (a partir dos 10 anos), a regra do jogo se apresenta à criança não mais como uma lei exterior, sagrada, mas como resultado de uma livre decisão e como digna de respeito na medida em que é mutuamente consentida.

Para Piaget, o conhecimento não é um estado, o conhecimento é essencialmente a passagem de um nível de menor conhecimento para um outro de conhecimento mais amplo, motivo pelo qual, ocorre seu desenvolvimento. Assim, a construção intelectual do indivíduo, provém da interação coletiva. O conhecimento é construído pela criança através da interação com o meio. Para conhecer a sua realidade, a criança precisa interar-se com os objetos que a rodeiam.

Consta nas obras de Piaget que na pré-escola, por exemplo, o raciocínio lógico ainda não é suficiente para que a criança dê explicações coerentes a respeito de certas coisas. O poder de fantasiar ainda prepondera sobre o poder de explicar. Então, pelo jogo simbólico, a criança exercita não só sua capacidade de pensar, ou seja, representar simbolicamente suas ações (transforma em pai e mãe, seus bonecos ou diz que uma cadeira é um trem), mas também, suas habilidades motoras, já que salta, corre, gira, transporta, rola, empurra. Este brincar é importante para seu desenvolvimento cognitivo e para o equilíbrio emocional.

O jogo pode ser utilizado ainda, como um recurso pedagógico na alfabetização, pois garante o interesse da criança pelas atividades propostas, fazem com que as mesmas explorem os objetos que as cercam, melhoram sua agilidade física, experimentam seus sentidos e desenvolvem seu pensamento.

A escola exerce um papel fundamental na criação e recriação de pensamentos e percepções, por induzir à aprendizagem, proporcionando-lhes atribuir significado a tudo que os cercam de forma consciente, para que possam enfrentar e resolver os seus problemas.

Em suma, em relação ao desenvolvimento infantil, o brincar pode ser utilizado como uma ferramenta para estimular déficits e dificuldades encontradas em alguns aspectos desenvolvimentais. No que se refere à aprendizagem, utilizar a brincadeira como um recurso é aproveitar a motivação interna que as crianças têm para tal comportamento e tornar a aprendizagem de conteúdos escolares mais atraente.

O jogo é o caminho mais eficiente para a criança conhecer a sua realidade, construir a sua aprendizagem e aperfeiçoar as suas culturas, através da interação com o próximo; além de estimular a valorizar e aceitar o outro como ele é e estruturar sua autoconfiança, com plena satisfação nas trocas recíprocas de experiências. Cabe aos profissionais da educação conhecer o processo de desenvolvimento infantil e repensarem em suas ações para que possam promover um ensino – aprendizagem de qualidade.



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Síndrome do Pânico

O Transtorno do pânico é um distúrbio de ansiedade importante caracterizado por sintomas reais físicos e psicológicos, como medos irracionais (chamados fobias) de situações específicas que começam a ser evitadas. Gradativamente o nível de ansiedade e o medo nas crise podem atingir proporções tais, que a pessoa com o transtorno do pânico pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo pôr o pé fora de casa. Desta forma, o distúrbio do pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana de uma pessoa como outras doenças mais graves - a menos que ela receba tratamento eficaz e seja compreendida pelos demais.



Nos últimos tempos, um grande número de pessoas vêm sendo afetadas por esse terrível mal. Trata-se de uma situação limite, sempre relatada de forma extremamente dramática pelas pessoas que vivenciaram ou que ainda vivenciam tal situação.



Em se tratando das questões neurobiológicas, o cérebro produz substâncias chamadas neurotransmissores que são responsáveis pela comunicação que ocorre entre os neurônios (células do sistema nervoso). Estas comunicações formam mensagens que irão determinar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo (ex: andar, pensar, memorizar, etc). Um desequilíbrio na produção destes neurotransmissores pode levar algumas partes do cérebro a transmitir informações e comandos incorretos. Isto é exatamente o que ocorre em uma crise de pânico: existe uma informação incorreta alertando e preparando o organismo para uma ameaça ou perigo que na realidade não existe. É como se tivéssemos um despertador que passa a tocar o alarme em horas totalmente inapropriadas. No caso do Transtorno do Pânico os neurotransmissores que encontram-se em desequilíbrio são: a serotonina e a noradrenalina.



Os sintomas físicos podem durar minutos e aparecem subitamente, sem nenhuma causa “aparente”, podem ser eles:



• Contração / tensão muscular



• Taquicardia (o coração dispara)



• Tontura, atordoamento, náusea



• Dificuldade de respirar (boca seca)



• Sudorese



• Sensação de que algo horrível está prestes a



• Medo de perder o controle



• Medo de morrer



• Vertigens



A cura não se dá de forma espontânea, pois necessita de um tratamento específico e especializado para que seja eficaz, associando psicoterapia e medicamentos.



O Transtorno do Pânico não é loucura, nem "frescura". Devemos compreender o que a pessoa passa; levando bem-estar e tranquilidade



De qualquer forma, antes de mais nada, consulte um médico para ter certeza de que não há nenhum problema real de saúde!!!



Com a confirmação de boa saúde, procure um psicólogo e cuide de sua saúde mental!!!