terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Observando seu aluno ou filho: Quais os sinais comuns apresentados por uma criança/adolescente com Distúrbio de Aprendizagem?

Na educação infantil:

  1.  Falar mais tarde
  2. Apresentar desenvolvimento psicomotor mais lento quando comparado a outras crianças da mesma idade (demorar para andar, falar...)
  3. Vocabulário pobre
  4. Dificuldade em aprender rimas e canções
  5. Problemas para aprender números, letras, cores e formas
  6. Dificuldade em seguir ordens e rotinas
  7. Agitação, distração, desatenção
  8. Lentidão para desenvolver a habilidade motora fina

Nos primeiros anos do Ensino Fundamental:

  1. Dificuldade para perceber as relações entre letras e sons, acarretando em dificuldade durante a alfabetização e até mesmo a não alfabetização
  2. Erros frequentes na leitura
  3. Cansaço excessivo durante as atividades escolares
  4. Dificuldade em realizar cópia (livros e lousa)
  5. Confusão entre esquerda e direira
  6. Lentidão na aquisição de novas habilidades e de lembrar fatos
  7. Dificuldade na aprendizagem de números e cálculo
  8. Impulsividade
  9. Dificuldade de organização e planejamento
  10. Coordenação motora pobre
  11. Dificuldade em compreender o conceito de tempo

Nos anos posteriores do Ensino Fundamental:


  1. Evitar ler em voz alta
  2. Evitar atividades escritas
  3. Cansaço excessivo nas atividades relacionadas a escola
  4. Dificuldades globais na escrita ou compreensão
  5. Trocar letras nas palavras ou posições das letras
  6. Desmotivação e desatenção
  7. Dificuldade em realizar cópia (livros e lousa)
  8. Confusão entre esquerda e direira
  9. Dificuldade em se lembrar de fatos recentes
  10. Dificuldade para aprender uma segunda língua
  11. Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc...
  12. Dificuldade em compreender a expressão corporal e facial das pessoas



No Ensino Médio e Superior:


  1. Evitar atividades de leitura e escrita
  2. Apresentar dificuldade em resumir idéias e fatos
  3. Dificuldade em responder (argumentar) as questões em provas
  4. Dificuldades com conceitos abstratos
  5. Lentidão na execução de atividade
  6. Prejuízo nas habilidades de memória
  7. Substituição de palavras durante a leitura
  8. Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia)
  9. Dificuldade com direita e esquerda
  10. Dificuldade em organização
  11. Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como conseqüência: depressão, ansiedade, baixa auto estima e algumas vezes o ingresso para as drogas e o álcool.



***Observa-se ainda que as crianças que apresentam dificuldades específicas na escola como as características apresentadas ou que também apresentem aspectos emocionais prejudicados; necessitam realizar avaliação com profissional especializado o quanto antes, para que encaminhamentos e/ou reabilitação sejam realizadas.

Em caso de dúvidas, ligue e tire suas dúvidas!!!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Déficit de atenção e hiperatividade: importância do uso de medicação e mitos

Artigo extraído da Veja.com, publicado em 17/02/2010;

As vendas de metilfenidato - medicamento indicado para o tratamento de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) – saltaram quase 80% entre 2004 e 2008, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O aumento provocou suspeitas de uso indiscriminado da droga: levantou-se até a hipótese de que crianças receberiam erroneamente o diagnóstico positivo por conta do comportamento agitado. Além disso, adolescentes estariam obtendo o remédio tarja-preta clandestinamente para turbinar suas funções cognitivas.

Especialistas ouvidos apostaram justamente na tese contrária: "Configura-se mais um caso de subdiagnóstico do que de prescrição exagerada", afirma Luís Rohde, psiquiatra da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). "Esse fenômeno de vendas mal corresponde à necessidade real do país", complementa Paulo Mattos, psiquiatra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro sobre o tema No Mundo da Lua. A partir de dados da Anvisa e do IBGE, o médico diz que menos de 30.000 pessoas com TDAH são tratadas por ano no país - número baixo, frente aos 3 milhões de brasileiros potencialmente portadores.

Por essa razão, os especialistas preferem creditar a disparada no consumo à disseminação do conhecimento sobre o distúrbio neuropsiquiátrico - que atinge entre 3% e 6% das crianças em idade escolar. "Quanto maior a gama de informações, capacitação e esclarecimento acerca de um transtorno, mais pessoas procuram um diagnóstico. Isso faz com que aumente a incidência do uso da medicação", afirma Iane Kestelman, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Déficit de Atenção.

Diagnóstico difícil - A opinião dos médicos, contudo, não encerra a questão. "De fato, existem diagnósticos errados e o uso desnecessário da medicação - o que ocorre em todas as áreas medicina. Mas o tratamento correto não pode pagar a conta dos maus profissionais", afirma Kestelman.

Na raiz do problema está a dificuldade no diagnóstico de TDAH. Ao contrário de outros males, não há um exame laboratorial que possa complementar ou confirmar a análise realizada em consultório. Para descobrir se uma criança possui o transtorno, é preciso observar se os sintomas ocorrem há pelo menos seis meses em ambientes diferentes, como escola e família. Além disso, o médico especialista deve, por meio de entrevista, analisar se o perfil do paciente se encaixa em uma lista de 18 sintomas. Isso pode dar margem a que um médico menos experiente realize um diagnóstico exagerado.

"Os sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade têm que se manifestar em todos os contextos em que a criança vive e precisam provocar um prejuízo na vida dela, seja no relacionamento familiar, social ou no desempenho acadêmico", explica Marcos Arruda, neurologista pediátrico do Instituto Glia e membro da Associação de Neurologia e Psiquiatria Infantil.

Erro e acerto - Por conta de um diagnóstico errado, o designer Gabriel (que prefere não revelar seu nome verdadeiro) viveu severas turbulências durante boa parte da vida. "Minha infância e adolescência foram um inferno. Mais tarde, cheguei a largar a faculdade três vezes devido ao problema", conta. Sofrendo, ele procurou um médico, que apresentou o diagnóstico de transtorno bipolar e impôs ao jovem, hoje com 27 anos, três anos de tratamento intensivo com remédios para combater aquele mal.

Há dois anos, porém, veio um novo veredito: TDAH. Veio também uma nova vida. "Agora, faço em 15 minutos uma tarefa que, por conta de distração, levaria uma hora", diz Gabriel.

Surpresa maior acerca da sua situação médica estaria por vir. Depois do novo diagnóstico, a mãe de Gabriel revelou que ele recebera o mesmo parecer médico na infância. O tratamento, contudo, foi suspenso devido a pressões na escola. "Naquela época, a diretora repreendeu minha mãe porque não achava correto dar um remédio tarja-preta para uma criança", diz Gabriel. "Ela só me contou a história depois do novo diagnóstico: até então, ela tinha vergonha de revelar isso."

Como funciona a droga - A Ritalina, nome comercial do metilfenidato, ajuda pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade a se concentrar com mais facilidade. "Um paciente com TDAH tem seu processo de atenção desregulado na liberação de dopamina (neurotransmissor)", diz Geraldo Possendoro, psiquiatra comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "A medicação estabelece o funcionamento adequado."

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A importância do brincar na aprendizagem e no desenvolvimento infantil

A criança tem prazer em brincar, o que estimula sua criatividade e constrói sua identidade própria. Esta é uma das formas mais espontâneas de as crianças poderem manter um contato melhor com a realidade em que estão inseridas. É brincando também que se aprende com prazer. A brincadeira é a fase mais alta do desenvolvimento da criança, é através das brincadeiras e dos jogos que as crianças expressam o que estão sentindo, como elas enxergam o mundo, procuram entender o mundo dos adultos e também evoluem por intermédio de suas próprias brincadeiras e das invenções das brincadeiras feitas por outras crianças e pessoas adultas. Além disso, com estimulação adequada, desenvolvem sua autonomia, criatividade, iniciativa, senso crítico e responsabilidade, tornando-se pessoa, cultivando a autoestima, desenvolvendo um autoconceito positivo, dominando as angústias e proporcionando condições saudáveis para o seu desenvolvimento biopsicossocial.

As primeiras brincadeiras do bebê, que são caracterizadas pela observação e posterior manipulação de objetos, oferecem à criança o conhecimento e a exploração do seu meio através dos órgãos dos sentidos. Logo que a criança começa a falar os jogos de exercícios começam a diminuir e dão espaço aos jogos simbólicos. Próximo ao final desta fase, os jogos simbólicos começam a declinar porque passam a aproximar-se cada vez mais do real. O símbolo perde seu caráter de deformação lúdica e passa a ser uma representação imitativa da realidade. Inicia-se então a estrutura dos jogos de regras, que têm um ponto de partida próximo aos 6 anos e vai até o princípio da adolescência. Para Vygotsky, todas as modalidades de brincadeiras estão inseridas de regras e de faz-de-conta. As regras de uma brincadeira ou jogo estão intimamente ligadas ao conhecimento que as crianças têm da realidade social na qual estão inseridas.

A brincadeira, mesmo sendo livre e não estruturada, possui regras que conduzem o comportamento das crianças. Uma criança que brinca de ser a mamãe com suas bonecas assume comportamentos e posturas pré-estabelecidas pelo seu conhecimento de figura materna. As regras são então partes integrantes do jogo simbólico, já que a criança ensaia comportamentos e papéis, projeta-se em atividades dos adultos, ensaia atitudes, valores, hábitos e situações para os quais não está preparada na vida real. Além disso, de uma forma geral, durante o brincar, a criança vai adquirindo um saber físico e mental, onde ela poderá imaginar, refletir e raciocinar, dando-lhe um prazer da realização da ação.

O jogo pode ser uma forma espontânea para a resolução dos problemas e dificuldades presentes no seu meio, por oferecer situações para se trabalhar a oralidade, a timidez e o raciocínio sem causar frustrações angustiantes, e para isso deve ser conduzido com sabedoria, respeitado as limitações que cada criança apresenta, para surtir um resultado consideravelmente eficaz. Contudo, o jogo deve fornecer regras claras e ter objetivos bem definidos, além, de ter um caráter desafiador e interessante, para atingir um grau elevado de significação e permitir que as crianças se interajam.

Os jogos são importantes na vida de uma criança, pois com eles, há o objetivo de se obter prazer, sendo que não é apenas uma fonte de diversão, mas também propicia situações que podem ser exploradas de diversas maneiras educativas, para isso, quem irá desenvolvê-lo deverá ter objetivos claros e fazer um planejamento prévio. Os jogos se bem aplicados, podem desenvolver a inteligência, funcionamento cognitivo (memória, atenção, visuopercepção, visuoconstrução...), pré requisitos para alfabetização (esquema corporal, coordenação motora fina e grossa, habilidades visuais, auditivas, inserção de regras...), habilidades artísticas e estéticas, afetividade, vivência de regras éticas e o relacionamento social. Existem diversos jogos e atividades que serão citadas em outro artigo, já que este, não tem este objetivo. Dando continuidade ao que estava sendo tratado, o pensamento vem, portanto, da atividade. As atividades envolvidas no processo de aprendizagem são observações, experimentação, reflexão, organização (através da fala, escrita, desenho, movimento) e apresentação do conhecimento adquirido. É a partir desta perspectiva mais abrangente do processo de constituição do indivíduo como ser social, afetivo e cognoscente que devemos pensar o papel do jogo e da brincadeira na aprendizagem. Para atingir as metas que se deseja alcançar na aprendizagem, deve-se realizar um planejamento bem feito, com práticas pedagógicas elaboradas para vencer um jogo, avaliando cada uma das ações, de acordo com a complexidade e número de jogadores envolvidos. Deve-se observar também que cada jogador possui habilidades e limitações e o educador deve estar atento, variando assim os objetivos a serem alcançados. O jogo leva a criança ao convívio com regras, que podem ocorrer de formas diferentes dependendo da fase de desenvolvimento em que a criança se encontra: Em um primeiro momento, a criança desconhece e não consegue seguir as regras (2 aos 5 anos). No estágio seguinte a criança começa a perceber regras externas e procura imitá-las, como uma atitude de respeito. No terceiro estágio, que acontece (a partir dos 10 anos), a regra do jogo se apresenta à criança não mais como uma lei exterior, sagrada, mas como resultado de uma livre decisão e como digna de respeito na medida em que é mutuamente consentida.

Para Piaget, o conhecimento não é um estado, o conhecimento é essencialmente a passagem de um nível de menor conhecimento para um outro de conhecimento mais amplo, motivo pelo qual, ocorre seu desenvolvimento. Assim, a construção intelectual do indivíduo, provém da interação coletiva. O conhecimento é construído pela criança através da interação com o meio. Para conhecer a sua realidade, a criança precisa interar-se com os objetos que a rodeiam.

Consta nas obras de Piaget que na pré-escola, por exemplo, o raciocínio lógico ainda não é suficiente para que a criança dê explicações coerentes a respeito de certas coisas. O poder de fantasiar ainda prepondera sobre o poder de explicar. Então, pelo jogo simbólico, a criança exercita não só sua capacidade de pensar, ou seja, representar simbolicamente suas ações (transforma em pai e mãe, seus bonecos ou diz que uma cadeira é um trem), mas também, suas habilidades motoras, já que salta, corre, gira, transporta, rola, empurra. Este brincar é importante para seu desenvolvimento cognitivo e para o equilíbrio emocional.

O jogo pode ser utilizado ainda, como um recurso pedagógico na alfabetização, pois garante o interesse da criança pelas atividades propostas, fazem com que as mesmas explorem os objetos que as cercam, melhoram sua agilidade física, experimentam seus sentidos e desenvolvem seu pensamento.

A escola exerce um papel fundamental na criação e recriação de pensamentos e percepções, por induzir à aprendizagem, proporcionando-lhes atribuir significado a tudo que os cercam de forma consciente, para que possam enfrentar e resolver os seus problemas.

Em suma, em relação ao desenvolvimento infantil, o brincar pode ser utilizado como uma ferramenta para estimular déficits e dificuldades encontradas em alguns aspectos desenvolvimentais. No que se refere à aprendizagem, utilizar a brincadeira como um recurso é aproveitar a motivação interna que as crianças têm para tal comportamento e tornar a aprendizagem de conteúdos escolares mais atraente.

O jogo é o caminho mais eficiente para a criança conhecer a sua realidade, construir a sua aprendizagem e aperfeiçoar as suas culturas, através da interação com o próximo; além de estimular a valorizar e aceitar o outro como ele é e estruturar sua autoconfiança, com plena satisfação nas trocas recíprocas de experiências. Cabe aos profissionais da educação conhecer o processo de desenvolvimento infantil e repensarem em suas ações para que possam promover um ensino – aprendizagem de qualidade.



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Síndrome do Pânico

O Transtorno do pânico é um distúrbio de ansiedade importante caracterizado por sintomas reais físicos e psicológicos, como medos irracionais (chamados fobias) de situações específicas que começam a ser evitadas. Gradativamente o nível de ansiedade e o medo nas crise podem atingir proporções tais, que a pessoa com o transtorno do pânico pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo pôr o pé fora de casa. Desta forma, o distúrbio do pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana de uma pessoa como outras doenças mais graves - a menos que ela receba tratamento eficaz e seja compreendida pelos demais.



Nos últimos tempos, um grande número de pessoas vêm sendo afetadas por esse terrível mal. Trata-se de uma situação limite, sempre relatada de forma extremamente dramática pelas pessoas que vivenciaram ou que ainda vivenciam tal situação.



Em se tratando das questões neurobiológicas, o cérebro produz substâncias chamadas neurotransmissores que são responsáveis pela comunicação que ocorre entre os neurônios (células do sistema nervoso). Estas comunicações formam mensagens que irão determinar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo (ex: andar, pensar, memorizar, etc). Um desequilíbrio na produção destes neurotransmissores pode levar algumas partes do cérebro a transmitir informações e comandos incorretos. Isto é exatamente o que ocorre em uma crise de pânico: existe uma informação incorreta alertando e preparando o organismo para uma ameaça ou perigo que na realidade não existe. É como se tivéssemos um despertador que passa a tocar o alarme em horas totalmente inapropriadas. No caso do Transtorno do Pânico os neurotransmissores que encontram-se em desequilíbrio são: a serotonina e a noradrenalina.



Os sintomas físicos podem durar minutos e aparecem subitamente, sem nenhuma causa “aparente”, podem ser eles:



• Contração / tensão muscular



• Taquicardia (o coração dispara)



• Tontura, atordoamento, náusea



• Dificuldade de respirar (boca seca)



• Sudorese



• Sensação de que algo horrível está prestes a



• Medo de perder o controle



• Medo de morrer



• Vertigens



A cura não se dá de forma espontânea, pois necessita de um tratamento específico e especializado para que seja eficaz, associando psicoterapia e medicamentos.



O Transtorno do Pânico não é loucura, nem "frescura". Devemos compreender o que a pessoa passa; levando bem-estar e tranquilidade



De qualquer forma, antes de mais nada, consulte um médico para ter certeza de que não há nenhum problema real de saúde!!!



Com a confirmação de boa saúde, procure um psicólogo e cuide de sua saúde mental!!!

sábado, 28 de agosto de 2010

Universidades com vestibular diferenciado para os Disléxicos

Atualmente os alunos diagnosticados como disléxicos poderão ter oportunidade e igualdade na aquisição dos conhecimentos, devido a compreensão do distúrbio.

As Universidade como Mackenzie, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e a Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, já possuem vestibular diferenciado para os disléxicos.

"Uma pessoa lê a prova e depois passa o resultado para o gabarito. Devido a dificuldade com a escrita, o candidato dita a redação porque oralmente ele não tem problema nenhum. São coisas simples de fazer, mas que fazem muita diferença para um disléxico", diz Rosemari Marquette de Melo, presidente da Associação Brasileira de Dislexia. Segundo ela, na Europa e Estados Unidos, todos os alunos disléxicos têm, por lei, o direito a um computador com corretor ortográfico e mais tempo para fazer os exames, além de poderem optar pelo exame oral.

"É isso que queremos que seja adotado no Brasil. Que a escola dê o suporte para a aprendizagem. Existe a Lei da Inclusão, mas ela é insuficiente nesses casos", aponta. Outra demanda da Associação Brasileira de Disléxicos é que os concursos e a prova para obter a carteira de habilitação de motorista levem em conta as especificidades dos disléxicos. A pessoa pode fazer a mesma prova, só precisa de um pouco mais de tempo e uma assistência que não comprometa o processo de seleção", afirma.

Segundo ela, o Ministério da Educação (MEC) criou um grupo de trabalho para debater o assunto e a expectativa da Associação Brasileira de Dislexia é que em 2010 um projeto de lei seja encaminhado ao Congresso Nacional. "A dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócioeconômica ou baixa inteligência. Os disléxicos só precisam de apoio". (ABD)

Ofício do MEC em relação aos alunos disléxicos ou com outras disfunções específicas

Extraído do Ofício nº 525 / MEC / SEESP / GAB - Brasília, 18 de agosto de 2003:

“De acordo com as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, a ação da Educação Especial tem como abrangência não apenas as dificuldades de aprendizagem relacionadas a condições, disfunções, limitações e deficiências, mas também aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica, considerando que, por dificuldades cognitivas, psicomotoras e de comportamento, alunos são freqüentemente negligenciados ou mesmo excluídos de apoios escolares.

O quadro das dificuldades de aprendizagem “absorve uma diversidade de necessidades educacionais, associadas à dificuldades específicas de aprendizagem, como a dislexia e disfunções correlatas, problemas de atenção, perceptivos, emocionas...”

Podemos destacar ainda em relação às Diretrizes Nacionais da Educação Especial na Educação Básica em que diz:
- Art. 8º: as escolas regulares devem prever e prover na organização de suas classes comuns, serviços de apoio pedagógico especializado em sala de recursos para atender às necessidades educacionais especiais dos alunos, utilizando procedimentos, equipamentos e materiais específicos. Além disso, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/96) no seu art.59, inciso I, enfatiza que: “os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades."

Em se tratando de alunos disléxicos, a escola em sua proposta pedagógica, deve prever avaliação individualizada de mecanismos diferenciados que facilitem esse processo, assim como permitir que o professor trabalhe com o aluno de forma diferenciada, observando suas necessidades e identificando adaptações que favoreçam o seu aprendizado.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Compreendendo a Adolescência

Devido às alterações hormonais, a adolescência é o período da vida do indivíduo em que ocorrem transformações corporais mais aparentes tanto na menina (menstruação, o aumento dos pelos pubianos, crescimento dos seios) quanto no menino (alteração da tonalidade da voz, o aumento dos pelos pubianos) e não são só essas transformações que afetam a vida da família e dos adolescentes, há ainda o lado emocional. Os adolescentes normalmente têm oscilações de sentimentos como ódio e amor, buscam por identificação, necessitando cada vez menos da ajuda dos adultos (o que frustra muitas vezes os pais). Há ainda a questão da cobrança de maior responsabilidade no meio social e familiar; como a escolha profissional, as tentativas de lidar com os sentimentos em relação ao sexo oposto, a vontade de conhecer intensamente o mundo, a instabilidade emocional, a implicância, a contestação diante de fatos da vida e principalmente o sentimento de não saber se ainda é criança ou adulto, já que muitas vezes o tratam como crianças e o cobram como adultos.
Diante de um corpo em mutação, os adolescentes precisam construir uma nova identidade e afirmar seu lugar no mundo. Desta forma, por trás de manifestações tão distintas quanto rebeldia ou isolamento, há inúmeros processos psicológicos para organizar um turbilhão de sensações e sentimentos. A adolescência é como um renascimento, marcado, dessa vez, pela revisão de tudo que foi vivido na infância. É como um ajuste de sentimentos. É na puberdade que o jovem reconstrói seu universo interno e cria relações com o mundo externo.

Os pais estranham muitas vezes e até ficam magoados, sentindo não fazer mais parte da vida de seus filhos, já que os adolescentes tendem a se afastaram um pouco e às vezes muito deles. Isso também é algo normal, já que os adolescentes procuram identificação com outros modelos que não os pais (que foram modelo em toda sua infância). Agora eles necessitam mudar, já que seu corpo e mente também mudaram. Normalmente os adolescentes buscam grupos de amigos que tenham os mesmos interesses, os mesmos gostos e desejos. A identificação poderá ser positiva para o adolescente, trazer crescimento e estruturação interna, mas também pode ser negativa, sobretudo quando a relação com o grupo é de grande dependência. No final da adolescência o jovem obtém uma identidade realizada e ele será capaz de sentir perceber-se como ser total. É de extrema importância que desde a infância, estes adolescentes tenham sido orientados quanto a posturas e comportamentos adequados para que neste período as coisas não “saiam do normal”. Questões como drogas, relacionamento, sexo, regras sociais, entre outras, devem ser abordadas. Os pais devem dialogar abertamente com os filhos, em clima de amizade no convívio familiar, tentando não impor suas vontades, mas criando um ambiente flexível, ameno, conciliador e democrático.

O jovem deve ficar à vontade para tirar dúvidas e conversar sobre o que ocorre com seu corpo sem que sinta medo de ser diminuído ou ridicularizado. Além disso, ele necessita de privacidade, se não quiser falar, deve ser respeitado.

A escola é também peça fundamental nesse processo. Ela jamais deve reduzir o comportamento do adolescente à pura rebeldia, deve sim escutá-lo, integrá-lo e respeitá-lo, abrindo portas ao diálogo, apontando normas de conduta da instituição e do convívio civilizado, apontando o que há de positivo no comportamento do próprio jovem para que desta forma, possa auxiliar na busca pela identidade.

Exemplos de ajuda que os adultos podem dar neste momento, seriam no sentido de ajudá-lo a perceber os seus pontos fortes, as suas fraquezas, amizades; orientá-los quanto às mudanças físicas e emocionais, esclarecer questões como “liberdade” que tanto desejam, diferenciando de libertinagem, sugerir atividades que o mantenham ocupados, ajudar a refletir as influências negativas do meio (manipulações publicitárias, consumismo...), ouvir muito mais, ter compreensão, animá-los nas horas difíceis, observar e orientar para que não abdiquem das suas idéias ou princípios, aprender a exigir e a ceder em algumas coisas, ajudá-los a suportar as contrariedades que qualquer responsabilidade implica, lembrar também de que já fomos adolescentes incompreendidos e rebeldes e principalmente ajudá-los refletir sobre atitudes e comportamentos antes de tomá-los.

Observa-se muito que os adolescentes assim como os seus familiares estão, na maioria das vezes, desinformados sobre as mudanças que ocorrem nesta fase, gerando, na maioria das vezes, conflitos na relação e dificuldades na convivência. Cabe aos profissionais da área da Saúde preencher essas lacunas com informação, orientação e acolhimento. Em caso de dúvidas, procure um profissional habilitado!!!